Assis Aragão - História

 

A História de Assis Aragão

O ACIDENTE E A VIDA

O Acidente Vitimado por acidente automobilístico em 1979, com lesão medular C4 eC5 tornei-me tetraplégico. Comecei meu trabalho de fisioterapia no Hospital Sarah Kubitscheck. Foi iniciado neste período pesquisas muito produtivas para criação de adaptações, apesar de muitas experiências frustradas em conseguir adquirir coordenação com o braço direito, que não foram satisfatórias, tentamos com o braço esquerdo com outras adaptações, onde consegui fazer alguns riscos mais firmes.

Reaprendendo

As primeiras tentativas foram muito difíceis e dolorosas, tive que reaprender a desenhar meu próprio nome, já que não tinha domínio nenhum de coordenação motora. Com esta fase de treinamento exaustivo, tinha como meta primordial assinar meu nome, para poder ter uma fonte de renda, assinando projeto de outros colegas, já que estava no último ano de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Brasília, onde com meus próprios méritos conseguir me formar em 1980.

Ser Artista

Nesta ocasião passei a exercitar traços retos em papel milimetrado para tentar riscar projetos de arquitetura. Foi uma fase difícil que requeria muito otimismo de minha parte, ficava horas a fio exercitando traçar uma linha reta sem encostar nas margens, que para não ficar muito cansativo usada canetas coloridas. Esse trabalho foi me entusiasmando, que com o passar dos dias percebi que poderia usar esse rabiscos como um trabalho interessante de pintura, que denominei esta fase de ‘TRAÇOS’. Nos exercícios de treinamento de coordenação ficava mais de 8 horas diárias e em cada folha rabiscada havia sempre uma tentativa, uma nova pesquisa, que cada vez me mostrava mais uma possibilidade de voltar a produzir minhas artes, já que era minha principal meta de reabilitação “SER ARTISTA”. Todo esse processo de reabilitação foi orientado pela Terapeuta Elizabeth e acompanhado pela também Terapeuta Mércia que na época sentiram minha aflição ao me colocarem na frente de uma máquina de escrever para tentar uma terapia ocupacional, pois não viam a arte como processo de reabilitação. Elizabeth, uma profissional americana, viu que meu potencial era a arte e começou a criar adaptações para canetas e lápis, que melhor se adaptavam as minhas limitações Fui retomando minhas atividades artísticas fazendo cartões de Natal em 1980, que vendia na rua, hospital, feiras e no comércio. Vi então que poderia ganhar algum dinheiro com os meus desenhos. Como já estava acostumado a usar adaptações e com meus próprios méritos conseguidos, continuei desenhando e desenvolvendo uma série em papel tamanho A3 com caneta nanquim, o qual denominei “DESENHO POR IMPULSO”. Nesta série desenvolvi uma técnica de desenho “Figurativo Abstrato”, no qual passava um eixo imaginário no papel e como não tinha domínio em todo o papel, desenhava um lado e depois virava-o e desenhava o outro lado, para compor todo o desenho. Nesta série produzi 32 desenhos e fiz minha primeira exposição individual, 3 anos após o acidente.e.

Na Arquitetura

Recomecei a trabalhar com arquitetura através de desenhos de traços, fazendo projetos de arquitetura para deficientes, adaptações arquitetônicas. Empenhei-me em conseguir livros e revistas que me fornecessem dados para trabalhar nesta área. Profissão que exerço até hoje, desenvolvendo projetos em papel milimetrado, depois passo para o desenhista ampliar. Atualmente possuo mais de 200 projetos concluídos .

Meu Estilo

Continuei a batalhar, sem deixar que os obstáculos me enfraquecessem, criando desenhos e técnicas com nanquim sobre papel canson, lápis de cor, caneta hidracor e lápis de cera, na busca do que seria meu próprio estilo, aprimorando os desenhos e a técnica usada.

Figuras do Ser Só

A partir de 1984 comecei a desenvolver uma série que denominei ” FIGURAS DO SER SÓ” que consiste em desenhos com lápis de cor e nanquim sobre papel, na qual retratei toda uma série figurativa expresionista. Esta coleção consiste em 100 quadros que foram exposta galerias de diversas capitais do País.

Formas e Cores

Após esta série, aventurei-me em desenhos geométricos, projetando uns painéis em papel milimetrado e ampliando em módulos tamanho A2, que quando unidos formavam painéis que denominei ” FORMAS E CORES” . Nesta série passei a usar giz de cera porque os painéis eram grandes e o giz adaptou-se muito bem ao estilo. Esta coleção consiste em 30 painéis em formatos grandes.

Flores Astrais

Na fase seguinte “FLORES ASTRAIS” , elaborei desenhos de tamanho médio a grande nos quais usei giz de cera com lápis pastel e aquarelado.

Formação da Vida

Já em outra fase, que denominei “FORMAÇÃO DA VIDA”, retratei uma coleção sobre minha visão em desenho sobre o tema. Parti da célula mater até o homem primata, animais pré-históricos, usando um desenho com formas orgânicas, geométricas, além de uma variedade de materiais. Foi uma fase em que fiz muitas exposições e vendas dos trabalhos.

Fora do Brasil também

Em 1986 já tinha alcançado projeção no cenário artístico local, onde recebi convites para expor em outros Estados, podendo sobreviver da minha arte.

Firmeza nos traços

Com muito esforço e determinação, em 1987 elaborei uma coleção de desenhos a respeito da cultura afro-brasileira. À partir da pesquisa consegui visualizar o que viria a ser meus dez orixás. Estes trabalhos são de tamanhos grande e feitos com nanquim sobre canson, bem detalhados, coleção esta que guardo até hoje em meu acervo. Comecei a receber encomendas de quadros para pessoas que queriam desenhos com temas variados e cores predominantes, que não me foi uma experiência muito gratificante. Em 1990 já com segurança e firmeza nos traços, comecei uma fase denominada ” MÁSCARAS E SÍMBOLOS” . Neste trabalho mesclava máscaras representativas com símbolos criativos, utilizando-me de marcas da mídia consagrada como: coca-cola, pepsi-cola e outras. Na evolução fui na superposição de várias cores dos lápis para conseguir uma outra cor, com isso conseguia enriquecer a textura dos desenhos. Desta época em diante não mais parei de produzir, foram elaborados sempre novos trabalhos com estilos diversos, sempre pesquisando novas técnicas que se adequavam as minhas limitações físicas. Fases foram acumulando com as de “PIPAS”, “MITOLOGIA”, “FLOCLORE”, “BICHOS” e “FENDAS”, possuindo em meu acervo mais de 100 quadros. Durante o período de 1990 a 1999, continuo executando os trabalhos sobre tela que está tendo boa aceitação, pois com a tela me facilita fazer desenhos maiores porque posso enrolar a tela já desenhada e partir para a outra parte a ser desenhada . Nestes últimos trabalhos sobre tela, já faço uma coletânea de tudo que fiz, me livrei de temas que me prendiam a fases e estilos. Fiz várias exposições em Brasília, em outros estados e no exterior. Hoje já possuo um curriculum com exposições coletivas e individuais.

Assinatura Assis Aragao